quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sergio Vaz e Verônica Ortega

Os Miseráveis
Vítor nasceu
no Jardim das Margaridas.
 Filha do rei

 Quero mudar o futuro
 Quero fazer um juramento
Na força desse momento
Jurando  pela graça ... 
Que  poesia e  bíblia 
Estarão em toda praça
A palavra no coração 
E a caneta no papel
No banquinho,  absolvido réu
Mostrando que é possível 
Do inferno fazer um céu
Que crente é coisa do passado
Sou brasileira de fé
Vivendo a vida como ela é



verônica ortega
Erva daninha, 
nunca teve primavera.
Cresceu sem pai, sem mãe,
sem norte, sem seta.
Pés no chão,
nunca teve bicicleta.
Já Hugo, não nasceu, estreou.
Pele branquinha, nunca teve inverno.
Tinha pai, tinha mãe,
caderno e fada madrinha.
Vítor virou ladrão, Hugo salafrário.
Um roubava pro pão, o outro, pra reforçar o salário.
Um usava capuz, o outro, gravata.
Um roubava na luz, o outro, em noite de serenata.
Um vivia de cativeiro, o outro, de negócio.
Um não tinha amigo: parceiro.
O outro, tinha sócio.
Retrato falado, Vítor tinha a cara na notícia,
enquanto Hugo fazia pose pra revista.
O da pólvora apodrece penitente,
o da caneta enriquece impunemente.
A um, só resta virar crente,

o outro, é candidato a presidente.
sergio vaz
* Do livro "Colecionador de pedras" Global Editora

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